Resenha Histórica

AMOREIRA DA GÂNDARA
Inicialmente anexa a freguesia de Sangalhos, pertenceu ao antigo Concelho de São Lourenço do Bairro, que por sua vez foi extinto por decreto de 31 de Dezembro de 1853, passando por esse mesmo decreto para o Concelho de Anadia. No foral de 20 de Agosto de 1514, dado a Sangalhos, trata de Amoreira da Gândara, entre outras terras.
 
Amoreira da Gândara fez parte da freguesia de Sangalhos até 1928, em que alcançou a sua autonomia civil e religiosa. A independência de Amoreira surgiu alegadamente pela grande distância relativamente à igreja matriz de Sangalhos.
Fez parte desta freguesia a Quinta de Amoreira da Gândara. O Portão da referida quinta ostenta um Brasão esquartelado com as armas dos Pintos, dos Castelos Brancos, dos Tavares e dos Mendoças.
 
Esteves Pereira e Guilherme Rodrigues fazem a seguinte descrição desta quinta: “Esta antiquíssima propriedade, sita na freguesia de Sangalhos (…) pertence actualmente ao ver. Padre Alípio Tavares Ferrão, que a houve de seu pae o coronel de milícias da Freguesia, José Pinto de Tavares Ferrão Pacheco de Castello Branco. Este último fidalgo da casa d’el-rei (…) batalhou no cerco do Porto, onde se distinguiu no ataque de S. Miguel, desempenhando por esta ocasião o cargo de brigadeiro, e com tal denodo que D. Miguel, lhe pôz ao peito a real effigie. (…) Correm differentes lendas acerca da casa da Amoreira, sendo certo porém que a propriedade em que assenta foi aforada perlas freiras de Stª Clara de Coimbra, aos 24 de Novembro de 1495, a Fernão Borges Cardoso, escudeiro fidalgo natural de Aveiro, e sua mulher Maria Barreto, que a transmitiram a seus descendentes, em conformidade com as palavras do aforamento. (…) José Pinto de Tavares Ferrão Pacheco de Castello Branco nasceu na casa d’Amoreira aos 14 de Março de 1816 e lá falleceu aos 26 de Junho de 1822”.
 
A freguesia de Amoreira da Gândara é uma freguesia recente, no entanto, há povoações, nesta freguesia que nos indicam remota antiguidade. Por exemplo, Portouro-Portus Aureum. Sabe-se que esta freguesia é formada de terras separadas da freguesia de Sangalhos, S. Lourenço do Bairro e de Vilarinho do Bairro.
 
Encontramos no foral Manuelino de Sangalhos (1514) referências a Amoreira, estando esta sob domínio de Santa Clara de Coimbra.
 
CRIAÇÃO DA FREGUESIA
As transformações posteriores, ocorridas no século XX, prenderam-se com a criação de três novas freguesias, dentro do Concelho de Anadia: 
- Freguesia de Amoreira da Gândara - 1928
- Freguesia de Paredes do Bairro - 1985
- Freguesia de Aguim - 1989
A freguesia de Amoreira da Gândara, que em relação a outras, é relativamente recente. Foi separada de Sangalhos, civil e religiosamente, por Decreto-Lei nº 15/224, de 23 de Março de 1928.
 
PAREDES DO BAIRRO
Paredes do Bairro é a mais jovem freguesia do Concelho de Anadia, visto a sua criação datar de 11 de Junho de 1985, (através do D. R. nº 229 de 4 de Outubro de 1985) embora o local seja de fundação antiga pois já possuía foral em 1519 concedido por D. Manuel I. Já os Romanos e mais tarde os Árabes não terão sido insensíveis às suas terras produtivas.
D. Manuel I concedeu-lhe foral a 20 de Dezembro de 1519 em Évora, como consta do "Livro de Forais Novos da Estremadura" (colecção 18., folha 224v.). Encontramos alguns autores que mencionam o acontecimento. Por exemplo, Pinho Leal, Nogueira Gonçalves e o responsável pela inclusão do verbete relativo à então povoação de Paredes do Bairro, na "Enciclopédia Luso-Brasileira da Cultura". Esta obra refere ainda a data do foral e faz saber que em 1811, Paredes do Bairro era vila, com juiz ordinário, da comarca, provedoria e dioceses de Aveiro. Acrescenta ainda que o concelho estava extinto em 1835.
Paredes do Bairro localiza-se no coração da Bairrada vinícola. 
 
Estes terrenos fortes, por exemplo seriam bons para a cultura de cereais. Provavelmente, terá sido uma das razões que terá levado o Marquês de Pombal a mandar arrancar todas as vinhas da região. Julgamos, no entanto, que a ideia fora a de engrandecer a região vinícola do Douro.
 
Há algumas décadas atrás, o prof. Bento Lopes, ao referir-se a esta freguesia recém-criada na sua “Monografia do Concelho de Anadia”, profere que “continua a ser a sede da freguesia, embora já não seja a povoação, mais importantes… Paredes do Bairro – o lugar mais importante e populoso já bastante comercial e industrial”.
 
ANCAS
Ancas já existia no séc. XII, século da sua iniciação paroquial. Segundo, um documento originário do cartório de Santa Cruz de Coimbra trás a doação - da "villa" de Enchas, Encas, Ancas – finalmente, feita por D. Afonso Henriques, em Novembro de 1143, a D. Marina Soares. Os limites aí indicados, relativamente fáceis de identificar no terreno, fazem a referência a “locus dictus” e a povoações como Sá (de Sangalhos), Mogofores, Paredes e S. Lourenço. 
 
Em 1561, aparece naquilo que chamamos hoje o mais antigo mapa de Portugal. De realçar que é a única terra do actual concelho de Anadia que aí consta.
No século XVIII era lugar da Província da Beira, Bispado de Coimbra, Arcediago do Vouga, Correição de Montemor, provedoria de Esgueira, termo da Vila de Recardães.
 
O pároco da freguesia, detinha o cargo vitaliciamente com o título de prior, sendo apresentado pela casa de Aveiro, que detinha o direito de padroado. No reinado de D. José com a condenação do Duque de Aveiro passou a Padroado Real.
Com a Revolução liberal, toda a divisão anacrónica do reino em pequenos concelhos, muitos dos quais sem continuidade geográfica, com pequenas parcelas encravadas no meio de outros, terminou.
 
Ancas que pertenceu primitivamente ao concelho de Recardães, passa a fazer parte do concelho de S. Lourenço do Bairro, sendo nesta altura incorporado no concelho de Anadia em 31 de Dezembro de 1853, em virtude do decreto que extinguiu o concelho de S. Lourenço do Bairro.
 
Foi em Novembro de 1143 que o nosso primeiro monarca doou a sua “Vila de ‘enchas’ “ a um particular (Marinha Soares). Está, pois, documentalmente comprovada a existência de Ancas no século XII, que nessa época, era ainda uma propriedade rural e não uma povoação.
 
Certamente que o povoamento da região seria bastante anterior, mas não se conhecem, até à data, vestígios arqueológicos que comprovem tal hipótese, o que nos continua a manter afastados do conhecimento efectivo do passado remoto da freguesia.
 
No entanto, o documento de doação permite-nos ir um pouco além destes largos anos de história, na medida em que fornece alguns topónimos significativos, que surgem a propósito da demarcação dos limites territoriais de Ancas.
 
Se topónimos como Mogofores ou Sá não levantam quaisquer dúvidas quanto à sua localização, já o mesmo não acontece com alguns outros, que entretanto se perderam ou que não são suficientemente esclarecedores. É o caso da Fonte de Lodeiro, que Mário de Saa, em “As Grandes Vias da Lusitânia”, defende que seria a fonte que abastece S. Mateus, e que se situaria na encruzilhada do caminho velho de Mogofores a Ancas, com a estrada de S. Lourenço (esta corresponde ao “Caminho da Igreja”, que unia a igreja de S. Lourenço a Vale de Estevão). Fala também de uma estrada mourisca, que ligaria Espairo, cabeço de Mogofores, Póvoa da Palmeira, Povoa do Mato e Portouro (onde ainda se situa uma velha ponte, não datada, mas que poderá ser romana). Mais difíceis de localizar são as duas lagoas (só existe uma) e a fonte do Lotário. Quanto ao topónimo Poços, apenas se pode afirmar que ele ainda existe, mas apenas ao nível da microtoponímia.
 
Pelo que fica dito julgamos poder concluir-se que o actual território não terá ceres áreas e configuração muito diferentes das que tinha no século XII, embora, como é óbvio se tenham verificado bastantes alterações desde então.
A sua constituição em paróquia também será medieval, mas os documentos comprovativos de tal afirmação não conhecer ainda a luz do dia. Da igreja paroquial apenas se sabe que sofreu uma reforma em 1689, enquanto os primeiros registos paroquiais eram de 1638.
 
Religiosamente, Ancas estava afectada ao bispado de Coimbra e pertencia à provedoria de Esgueira; foi priorado do ducado de Aveiro. Depois da extinção deste, foi criada, em 1744, a diocese de Aveiro, procedendo-se à sua divisão e sete arciprestados sendo Ancas incluída no de Vilarinho do Bairro, juntamente com Fermentelos, Oiã, Óis do Bairro, Oliveira do Bairro, Sangalhos, S. Lourenço do Bairro e Vilarinho do Bairro.
 
Quando a diocese é extinta (1882), Ancas volta a pertencer ao bispado de Coimbra. Por bula de 1938, a diocese de Aveiro é novamente restaurada e Ancas fica a pertencer ao arciprestado de Anadia, tal como as restantes freguesias do concelho.
 
A padroeira da freguesia é Nossa Senhora da Assunção.
 
Ancas não recebeu qualquer foral, mas é mencionada nas cartas de foral manuelinas (séc. XVI) de Avelãs de Cima e de Recardães, situando-se no termo deste último concelho até 1832, passando então ao de S. Lourenço do Bairro. Com a extinção deste em 1853, passou ao de Anadia.
 
A freguesia de Ancas pertenceu, primitivamente, ao concelho de Recardães, tendo passado depois a pertencer ao de S. Lourenço, após a sua extinção. O pároco era apresentado pelo duque de Aveiro ate ao reinado de D. José I, pois tendo sido justicado como comparticipante no pretenso atentado contra D. José, evidentemente não podia exercer tal mandato. Como não tivesse sido ilibado no reinado de D. Maria I, passou por isso a ser apresentado pela coroa.
 
Um documento originário do cartório de Santa Cruz de Coimbra traz a doação – da “villa” de Enchas, Encas, Ancas, finalmente – feita por D. Afonso Henriques, em Novembro de 1143, a Marina Soares. Os limites ai indicados, relativamente fáceis de identificar no terreno, referem-se a locus dictus e a povoações: Sá (Sangalhos), Mogofores, Paredes e S. Lourenço.